Espaço de discussão e reflexão sobre a experiência do olhar e suas reverberações no corpo na construção/remontagem do espetáculo exposição "IN-REAL acontecimentos poéticos" da desCompanhia de dança.

sábado, 13 de abril de 2013

16 e Abril (terça): Acontecimentos Poéticos – exercícios para o olhar

A desCompanhia de dança convida os EDUCADORES EM ARTES para uma experiência artística - um diálogo sobre o olhar estético e poético nos modos de pensar/fazer a arte. O evento compartilha instalações coreográficas, mostra de vídeo e conversa.

  • ENTRADA FRANCA
  • Local: Vila Arte Espaço de Dança (R. Saldanha Marinho, nº76, Sala 3, Centro, Curitiba – Paraná)
  • Data: 16 de Abril de 2013
  • Horário: 10h
  • Informações: tel 41 3233-8034 | desCompanhia@gmail.com

Divulgação Arte Educadores - LOW

7 e Abril (domingo): Acontecimentos Poéticos – exercícios para o olhar

A desCompanhia de dança convida os ARTISTAS DA DANÇA para uma experiência artística - um diálogo sobre o olhar estético e poético nos modos de pensar/fazer a arte. O evento compartilha instalações coreográficas, mostra de vídeo e conversa.

  • ENTRADA FRANCA
  • Local: Vila Arte Espaço de Dança (R. Saldanha Marinho, nº76, Sala 3, Centro, Curitiba – Paraná)
  • Data: 7 de Abril de 2013 (domingo)
  • Horário: 19h
  • Informações: tel 41 3233-8034 | desCompanhia@gmail.com

Divulgação Artistas - LOW

Impressões do “IN-REAL acontecimentos poéticos” – por Gladis Tridapalli

frente
Uma casa chamada Selvática. Cozinha, banheiro, salas. Janelas. Corredores, escadas, vãos. Portas. Lugares delimitados e outros de passagem. Os entres. Entre, entre, entre. Entre imagens. As imagens dançantes como acionamento do fluxo dentrofora, do eu e o outro, do passado, presente, futuro no aqui. Aqui e lá. O jardim, a rua, a sacada, a calçada. Um convite: entre!
Entre, por favor, entre.  
Entre, fique à vontade, para estar e para, junto daquele que dança, tentar entender o que é habitar, viver. Fique à vontade para ficar o tempo que quiser, transitar de um lugar a outro e também para mexer por dentro se assim surgir a necessidade. Fique à vontade para perceber sua casa corpo.
Entre e sinta o que ainda é desconhecido pelo artista que dança, e só agora pode ser habitado, porque você, público, está aqui. Tua presença – olho, vísceras, pulso – modifica. Modifica a textura da parede da sala, a água da banheira, a terra do jardim, o escuro do quarto, a temperatura da pele.
IN-REAL é convite para artistas e público continuarem elaborando, sentindo, vivendo. É convite para o prosseguir da descoberta do ilimitado universo dos detalhes. Detalhes do corpo vivo que, porque aberto, é espaço. Espaço móvel que é tempo e se tece das memórias e de tudo o que ainda não foi visto e vivido.
IN-REAL é subversivo porque instaura outras temporalidades e espacialidades como lógica de se fazer dança, tanto em seu processo como na sua relação de apresentação com o público. A lógica do borrar e confundir estão presentes, ampliando, embaralhando, problematizando os sentidos e espaços. Não há como ver sem ser visto, tocar sem ser tocado, escolher sem ser escolhido, observar sem dançar. Dançar sem modificar. Estar sem lembrar.
IN-REAL é sem dúvida a provocação de uma experiência complexa em dança que evoca particularidades emergentes do coletivo. Cada artista move uma dança reverberada do habitar que é junto, no entanto distinto, porque elaborada de maneira peculiar. Juliana, Peter, Yiuki, Bel. O verde do jardim desliza no tule da saia que pousa na banheira que lembra a textura da sacada que recua para o som do quarto escuro que desce a escada e na sala da frente reolha os dizeres e as fotos. IN-REAL, em sua abertura, permite que cada um que lá habita crie seus próprios circuitos.
Gladis Tridapalli, integrante da Entretantas Conexões em Dança
Gladis Tridapalli[3]É graduada em dança pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP). Interessada na criação/composição, improvisação e performance, aprofundou seus estudos no Estúdio Nova Dança em São Paulo, na Casa Hoffmann - Centro de estudos do movimento em Curitiba e como artista residente no Omi Internacional Arts Center em NY, no Dance Theater Workshop no 13th Annual Dancenow/NYC Festival, em NY. Interessada nos revezamentos entre criação e educação fez especialização em Dança Cênica pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e mestrado em Dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). É proponente/criadora dos projetos Attraverso (edital 001/2005 de ocupação dos espaços culturais da Caixa Economica Federal), Samambaia: prima da Monalisa (bolsa Funarte de Estímulo à criação artística-coreografia), De maçãs e cigarros (edital 007/08 de Produção e Difusão em Dança da FCC – Curitiba) e Próximas Dist âncias (prêmio Funarte Klauss Vianna de Dança 2009). É colaboradora de pesquisa de diversos artístas em Curitiba. É professora e pesquisadora do Curso de Dança da FAP (Faculdade de Artes do Paraná em Curitiba), bem como, organizadora da Mostra de dança e do projeto Entrenósoutros - Dança e comunidade. É coordenadora/proponente da Entretantas produções - movimentando ideias.







sexta-feira, 16 de novembro de 2012

IN-REAL acontecimentos poéticos

ENFIM A ESTREIA!
IN-REAL acontecimentos poéticos
Data:
22 de Novembro a 09 de Dezembro de 2012 (quinta a domingo às 20H)
Local: Casa Selvática
Entrada: R$ 10 e R$ 5
Cidade: Curitiba – Brasil
Flyer Eletrônico

sábado, 27 de outubro de 2012

Bel, mergulhe nessas palavras da Marcia Tiburi

"[...] ao entrar na memória, se está no lugar de uma construção-destruição. Vernant conta que este exercício tinha, para os gregos, a função de purificar a alma "concentrando-a, recolhendo-a em si mesma a partir de todos os pontos do corpo, de modo que assim reunida e isolada ela possa desligar-se do corpo e evadir-se" É esta a concentração do corpo que é preciso reter quando se pensa o que fazer com a memória, no que ela significa como potência de experiência." ( DIÁLOGOS-DANÇA, carta de Marcia Tiburi, p.121)
bjs
Cintia


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Cena da Varanda

des, compartilho abaixo um texto do Nietzsche. Para mim, às vezes uso subtexto pessoal, oculto em camada profunda que não procuro compartilhar tal como ele é, no entanto gosto de deixar indícios sutis - afinal sutileza e elegância se dialogam entre si e são virtudes que admiro muito. Também percebo que a beleza é uma cortesia inerente ao trabalho artístico que costumo buscar. Mas quando uso esse termo, o conceito é relativo e amplo de interpretação, por isso vou explicar melhor o meu entendimento. Depois de um bate-papo com o Fernando Dourado, nosso iluminador, tenho refletido que beleza é algo que revela a Verdade - com V maiúsculo. Dessa maneira, percebo que há uma alquimia do feio para o belo. Esse encantamento acontece quando o feio revela algo sublime e ilumina o nosso olhar em relação ao mundo. Tornam-se belo - uma beleza que o tempo não consegue desgastá-lo. Acredito que a arte consegue fazer essa transmutação estética. E o interessante disso tudo, é que tanto na vida como na arte, o belo que revela o falso se torna feio e asqueroso. Acredito que o ser humano em geral não admira isso. Atrás da plasticidade das sombras projetadas no chão que tenho trabalhado na Casa Selvática, existe algo velado que é o limite da varanda, num sentido nada morbido, muito pelo contrário, quando estou nela, no limiar do “precipicio”, vejo a vida passar numa contemplação.

“Na varanda não há destino, cada pessoa abre o seu portal, é um espaço à parte do mundo. Ela fica na divisa entre o externo e o interno. Pisando nela, o tempo é a penumbra e pode ser recriado. Tudo se implode em si mesmo. Nesse lugar desviado da realidade, o mundo é o que decidimos escolher. Enxergar o que não se pode tocar. Negar o que é real. Ousar, avançar e cair no precipício. Asas do Ícaro que se derretem. Nada e tudo se fundem num devir do IN-REAL. Eu imagino o sorriso do Ícaro durante a sua queda” Yiuki Doi

“E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu a vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes; e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indizivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência – e do mesmo modo esta aranha e esta luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!” – Não se lançaria ao chão e rangerias os dentes e amaldiçarias o demônio que te falasse assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderias: “Tú es um deus, e nunca ouvi nada mais divino! Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse; a pergunta, diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e ainda inúmeras vezes?” pensaria como o mais pesado dos pesos sobre teu agir! Ou então, como terias de ficar de bem contigo mesmo e com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação de chancela?”

Friedrich Nietzsche (1844-1900)

OBRAS INCOMPLETAS – Página 208
Seleção de textos de Gérald Lebrun
Tradução e notas de Rubens Rodrigues Torres Filho
Abril Cultura, 1983
Os Pensadores